Em abril de 1984, precisamente á 23 anos atrás, numa pequena, porém encantadora cidadezinha chamada Esteio, nascia uma menina com um nome desses que não se vê todos os dias. Também era um nome de peso, chamava-se Clarice, sim, como a maravilhosa escritora de Água Viva. Não era Lispector mas era uma Clarice.
E quais mistérios esconde Clarice?Vamos começar pela escolha do seu nome. A mãe dela tinha uma lista enorme de nomes, Michele, Patrícia, Luiza…, porém ainda não tinha nenhum definido até a filha nascer. Foi quando olhou para o seu bebê e viu que seu nome só poderia ser Clarice, embora esse nome não existisse na lista. Mas por que Clarice? Bem, nem ela sabe ao certo. Só diz que a menina tinha nascido com seu nome escolhido por ela mesma: Clarice!
Na infância Clarice não era tão feliz com seu nome assim, queria se chamar Patrícia, mas logo ela percebeu a grandeza do seu nome a passou a orgulhar-se dele. A menina tinha pais muito amorosos e um irmão que jogava bola com suas bonecas. Mas acho que todo irmão deve fazer isso com suas irmãzinhas … Tinha cachorros, um belo pátio para brincar, mas não tinha amigos. Talvez por conta disso tivesse imaginação de sobra, tinha seus próprios personagens (entre eles uma menina chamada Patrícia) e revistas de moda criadas por ela mesma. E embora tivesse várias Barbies o que ela gostava mesmo era das bonecas que ela mesma fazia. Sim, bonecas de pano, com cabelo de lã e tudo!!
A falta de amigos não era problema para brincar, tinha todos eles na sua cabeça. Podia até jogar futebol com ela mesma. Chutava e defendia. Tudo isso a fazia exercitar sua imaginação, no entanto, a fez um pouco tímida. Clarice só mudou quando entrou para o ensino médio e fez suas primeiras amigas. Eram inseparáveis, dividiam bolachinhas recheadas no recreio e também suas frustrações de não terem namorados como as outras meninas. Não eram tão populares nem atraentes como as outras garotas mas eram felizes. Elas davam risadas de tudo todo o tempo. Qualquer coisa era motivo para fazerem piadas.
A vidinha de Clarice estava começando a ficar boa, não que antes não fosse, mas agora estava tudo diferente. Não era mais criança. Mas também teve que crescer muito rápido a partir de então. O pai de Clarice, um professor universitário, muito carinhoso com a filha, que dizia que ela seria a única entre seus filhos a seguir a profissão do pai, partiu de modo inesperado dessa vida, deixando-a na época com 16 anos de idade. A falta do pai e a incerteza quanto ao futuro, fez com que ela começasse cedo a procurar trabalho e a se preocupar em sustentar seus estudos. Não foi muito fácil, mas a menina tímida cujo nome significa “claridade” venceu o período de escuridão em sua vida. Hoje ela trabalha na Unisinos e paga sua própria faculdade. Se esforça muito, para encarar uma rotina de quatorze horas entre estudos e trabalho, mas segue batalhando em busca da realização de seus sonhos e de viver intensamente cada dia como sendo único e maravilhoso, cheio de alegrias e desafios.
Clari!!
Cada vez mais vc está escrevendo melhor, sei que já falei isso aqui, mas estou orgulhosa de vc.
Pude participar da sua metamorfose da fase adolescente a adulta( quase adulta), agradeço a vc por fazer parte da minha vida. Nossa época no São Lucas foi ótima, apesar de umas surpresas da vida. Mas seguimos em frente, sempre unidas e felizes.
Fazem 7 anos que fiz minhas melhores amigas, faz 7 anos que conheci vc e a Tia Carol!!
Te adoro,
Tammy
Oi Clarice, adorei o teu perfil. Tu és uma menina muito centrada e inteligente. Acho que tu deverias realizar o sonho do teu pai, ele ficaria muito feliz onde ele estiver. Você poderia ser uma professora universitária também.
E pelo teu estilo de escrita, uma escritora.
Um abraço,
Gilmar