Trabalho de arte e estética
Outubro 12, 2007
TEMPO, COMPREENSÃO E IMERSÃO: O JOGO DA INTERATIVIDADE
Arte e verdade são inseparáveis. A verdade da obra de arte não pode ser enquadrada fora do seu mundo. Somente ao imergirmos no mundo da obra poderemos encontrar a verdade, que é própria da obra. A verdade está na obra e não fora dela.
A arte é o extremo do jogo, no caso aqui é o jogo da interatividade.. A forma como agimos no cotidiano também pode ser entendida como um jogo. É quebrando a rotina do jogo do cotidiano que o fantástico poderá se revelar. Quando mergulhamos no mundo da obra podemos descobrir algo novo, que não tinha sido percebido antes.
Ao imergirmos em um mundo estranho para nós, percorremos caminhos diferentes. Não é o mesmo caminho que a pessoa que está acostumada com ele vai percorrer. Quem está acostumado com um lugar normalmente tem vícios, que impede que faça novas descobertas. Quem navega por um mundo desconhecido realiza uma interatividade muito parecida com a do diálogo.
Ao explorarmos uma obra de arte realizamos uma interatividade que se aproxima muito da idéia de uma conversa. Através dessa conversa, podemos compreender a obra, por meio da experiência estética que a imersão nos proporciona. Poremos assim descobrir essa verdade que emerge da obra de arte.
FLUSSER E A FILOSOFIA DA CAIXA PRETA
O homem que simplesmente aponta uma câmera e bate uma foto, usando apenas os recursos oferecidos pela câmera, é na verdade, um funcionário do aparelho. Ele faz apenas o que o aparelho permite-o fazer. Esse é um dos conceitos trabalhados por Vilém Flusser no livro: “A filosofia da caixa preta”.
Usamos a câmera fotográfica para produzir imagens da nossa realidade. Essas imagens, Flusser chama de imagens técnicas. Segundo ele, o que vemos em uma imagem técnica não é “o mundo” e sim conceitos relativos ao mundo.
O aparelho armazena no seu interior um programa ou software. As escolhas feitas pelo fotógrafo ao fazer alterações nas funções do aparelho, na verdade, são escolhas do próprio programa do aparelho, que já tem tudo previamente escolhido. Pois na verdade o fotografo só poderá escolher entre as opções já definidas pelo aparelho.
O autor diz que é preciso branquear a caixa preta, no caso aqui a câmera fotográfica, superando o seu programa. Entendendo seu funcionamento para poder melhor utilizá-lo. Jogando com o aparelho podemos assim vencê-lo e obrigá-lo a melhorar-se, tornando o programa cada vez mais complexo. Assim, propõe Flusser, que poderá criar-se fotografias que não estão previstas no programa. Que seriam o que ele chama de fotografias “informativas” , ou seja, imagens jamais vistas antes.
O QUE É ARTE
No texto: “O que é arte” de Jorge Coli, são abordados alguns conceitos importantes para entendermos a arte, como por exemplo: a intersubjetividade, a arte “em si” e arte “para nós”.
Subjetividade é tudo aquilo que sentimos que compreendemos mas, no entanto, não conseguimos explicar. Já a intersubjetividade é a incorporação da persepção das outras pessoas a nossa percepção. Esse processo nos une e nos permite sintonizarmos com o outro. Essa relação de sintonia só é possível através da arte. E o caminho para que esse processo seja possível é a frequentação da obra no museu.
A arte é uma dimensão humana, não está na arte. É uma necessidade humana de despir a utilidade dos objetos e de humanizar as coisas. De reproduzir algo do mundo real de uma forma mais humanizada, como é o caso da pintura.
A arte “em si” é a imanência da arte. É a obra artística que emana a sua arte. A arte “para nós” é uma projeção. Quando nós colocamos as obras no museu, nós estamos projetando nelas a nossa percepção.
O “em si” da arte é uma projeção do “para nós”, pois nós projetamos nas obras de arte o seu sentido de arte, através da nossa subjetividade.